Fujifilm X-T1: meu review

Em outubro de 2013, comprei uma X100s. (Não, você não leu errado. Este é um review da X-T1, então continue a leitura).

Depois de alguns anos viajando com uma DSLR, cansei: do tamanho, do peso, da mensagem que ela passa às pessoas que estão ao seu redor. A qualidade das DSLR é imbatível, mas não dá para carregar um troço desses o dia todo, vivendo a base de Dorflex. E, no final, já estava tomando Tandrilax (se não conhece, pesquise: um Dorflex turbinado). Além disso, nada se assemelha a uma melancia enorme como uma DSLR com uma objetiva gigantesca e branca. Qualquer cena se esfarela no momento que você saca uma DSLR da mochila e todo mundo olha para você com cara de “o que será que ele está vendo? o que será que vai fotografar?”. Quebra-clima geral.

Por algum tempo, fotografei com uma rangefinder Zeiss Ikon (chamemos ela de RF) de filme. Pra sair à rua pra fotografar a rua, nada ganha. É suave, gentil, silenciosa. Ninguém te vê. Um fotógrafo a menos no mundo. Só que é filme e por mais que eu ame o resultado estético da coisa, o processo de rebobinar filme, revelar, escanear e editar me cansou um pouco. Não é prático e eu queria praticidade. E sou não-rico, então não dá para eu comprar uma Leica digital que é o meu ideal de câmera perfeita: pequena, qualidade de imagem incrível e full frame.

E, então, uma X100s. É aí que começa a ficar interessante a brincadeira, porque ela tem um tamanho pequeno, se você pensar na qualidade de imagem que ela produz. A objetiva é quase boa, com uma distância focal de 35mm (na verdade ela é 23mm, mas com o fator de crop do sensor APS-C, dá 35mm se pensarmos em full frame), o que, na minha opinião, resolve 90% das situações, mas com uma abertura de “só” f/2.0. E eu digo só porque eu gosto de pouca profundidade de campo e f/2.0 não resolve se pensarmos que é um sensor cropado, o que na verdade, traduzindo para full frame, dá quase a profundidade de campo de uns f/4.0 na full frame. E eu estava fotografando com uma RF e uma objetiva 35mm de f/1.4, então estava bem mal acostumado… E o que me deixou ainda mais mal acostumado era o foco manual. Numa RF, quando você pega o jeito do foco, a forma de fotografar muda. É um outro estado de espírito, um outro ritmo, e todo o papo que os Leica-lovers podem te contar com o maior prazer. Então, quando você pega o foco automático da X100s, digamos que um nervoso bate. É lento e muitas vezes ele erra. E erra feio. E aí eu cansei dela. Não consegui administrar a frustração.

Daí, numa feira de fotografia, em abril de 2014, eu fui no stand da Fuji. Tinha acabado de sair a X-T1 e eu ouvi falar que era incrível e todo o hype ao seu redor era pra valer. E, por incrível que pareça, já havia a tal câmera no Brasil. A feira estava acabando, era fim de dia, então tive exatos 47 segundos para testar. Foi suficiente para me convencer a vender a X100s e, em maio, comprei uma X-T1. E comprei uma 23mm f/1.4 e um adaptador de objetivas de baioneta M, para poder usar as lentes da minha RF.

Nestes 5 meses, usei bem o equipamento. Fiz ele valer. Trabalho autoral, trabalho comercial, foto de minha família e de viagens. Fiz tudo. E tenho um testemunho e veredicto para compartilhar.

Então, segura aí.

Qualidade de Imagem

A qualidade é a mesma da X100s. E ponto. Acho que as duas tem o mesmo sensor X-Trans de 16mp. Gostaria que tivesse mais megapixels? Acho que sim, mas não faz muita diferença. Já fiz interpolações para alcançar os mesmos megapixels da 5D Mark II (21mp) e deu um resultado muito bom (isto em ISOs baixos; nos altos o cenário se complica).

O que realmente faz as imagens ficarem incríveis é a objetiva Fujinon 23mm f1.4. É uma baita lente, nítida demais, inclusive totalmente aberta. Imagino que a próxima câmera da Fuji vai ter mais megapixels, pois suas objetivas conseguem renderizar imagens muito nítidas e com certeza conseguem criar imagens com mais densidades de pixels.

Um dos motivos que me levou para a X-T1 foi a possibilidade de usar as minhas duas lentes que tenho da RF: uma Voigtlander 35mm f/1.4 e uma Zeiss 50mm f/2.0. O fator de crop da Fuji é 1.5, então a 35mm vira 52.5mm e a 50mm, 75mm. A Voigtlander eu não uso, não gosto de ficar carregando muitas lentes. A Zeiss vem sempre comigo, pois 75mm é ótima distância focal para retratos. Ela é muito nítida quando usada com a RF, mas acho que perde um pouco dessa nitidez quando uso com a X-T1. Quando fotografo com a Fuji 23mm, o arquivo que a câmera produz é otimizado com o perfil da objetiva, o que não acontece com a da Zeiss. De fato, depois que a imagem feita com a Zeiss é tratada com o programa Iridient Developer - que eu super recomendo para tratar as imagens da Fuji -, acabo conseguindo uma boa nitidez. E sobre o tratamento eu falo mais abaixo.
Foco

O sistema de foco da X-T1 é ótimo. Ainda que não seja tão rápido quanto uma DSLR e em pouquíssimas vezes ela falhe para focar, não chega a ser frustrante. Ela tem o seu jeitinho pra focar (assim como as DSLRs têm os seus jeitinhos) e você tem que se acostumar com ele. Quando você pega a manha, o auto foco vai muito bem. E mesmo em situações de muita ou pouca luz, já que a câmera conta com uma luz auxiliar para focar no escuro (que pode ser um pouco inoportuno, dependendo do momento, mas pode ser desligado). Em um casamento que usei a X-T1 como segunda câmera, ela foi muito bem na cerimonia na igreja, acertando o foco em 90% das fotos. Já na festa, só senti dificuldade nas cenas de pouquíssima luz, mas isso a DSLR também sentiria, caso não tivesse a luz auxiliar do flash dedicado. Diria que o índice de acerto foi na casa dos 60%.

E realmente é um auto foco muito rápido. Se comparar com a X100s, é um salto enorme. A Fuji disse que a X-T1 é a mais rápida do novo-oeste das mirrorless e realmente deve ser. E isso por si só já foi um bom motivo pra ter feito a troca.

Quando uso a lente da Zeiss, o foco é manual. Por ser uma mirrorless, a câmera tem um viewfinder digital. Ao invés de ter um jogo de espelhos mostrando o que a lente vê, a câmera tem um mini monitor super nítido, mostrando em tempo real o que a lente está vendo, inclusive mostrando a situação do foco e profundidade de campo (coisa que as DSLRs penam para fazer). E, para auxiliar no foco manual, a X-T1 tem um recurso incrível: como o viewfinder é bem grande (meia polegada, na diagonal), no lado esquerdo da tela fica a cena que está sendo fotografada e, no canto direito superior, um close 100% do ponto focal selecionado. E, somado a isso, tem a ajuda do focus peaking. Fica bem fácil e rápido focar manualmente.

Operação

Do jeito que eu vejo a história, as DSLRs vão começar a dividir meio a meio o espaço com as mirrorless e quem não aceitar isso como fato (Canon e Nikon, estou falando com vocês) vai pegar a mesma estrada da Kodak. E é engraçado eu falar justo da Kodak… como o ganha pão da Fuji era também filme, quase pegou o banquinho e saiu do mercado, mas esses caras parecem ser bons de entender o consumidor e o que ele quer. Deram a volta por cima e, hoje, a Fuji é o bicho-papão do mercado fotográfico.

A máquina tem várias opções de customização: você mesmo pode definir a função da maior parte dos botões da câmera. Isso é legal, mas a verdade é que eu quase não mudo os ajustes. Fotografo tudo em RAW, então deixo o white balance em automático, não uso as simulações de filme e as únicas coisas que eu mudo são o ponto focal e modo macro (para poder focar mais de perto, com a 23mm).

Uma função que eu uso bastante é o WiFi. Vou lá, tiro uma foto, passo para o celular e posto no Instagram. Também, já aconteceu de estar fotografando o making of de um casamento e a irmã da noiva gostar da foto, eu passar para o celular, enviar para ela e postou no Instagram e Facebook tudo na hora. Com o WiFi fica rápido demais postar em rede social as fotos e que, nos dias de hoje, é o meio de uso de 95% de todas as fotos. E tudo sem computador. Acho esta função irada.

A bateria dura uns 250 clicks. Não conte muito com o ícone que informa o estado da bateria, pois ele passa de 100% cheia (que quer dizer “vai tranquilo que ainda dá para fotografar”), 25% (“vixe… trouxe outra? esta aqui vai te dar mais uns 30 clicks”) e piscando vermelho (“2 clicks e tchau, mermão”). Eu sempre levo 3 baterias (uma oficial e duas “paralelas”) e sempre me viro bem com elas.

Ergonomia

É maior e mais pesada que a X100s, mas não é tão grande ou pesada como uma DSLR. Eu diria que é a metade do peso e tamanho de uma DSLR, o que faz uma baita diferença para as costas depois de carregar o equipamento o dia inteiro. Para se ter uma ideia, eu uso uma Domke F-5XB para carregar a câmera com a 23mm acoplada, mais a 50mm f2.0 da Zeiss e adaptador, além de baterias e cartões. A câmera é realmente de tamanho excelente.Além disso, na rua ninguém dá muita bola para ela, pois não tem cara de profissional. Nas vezes que vieram falar comigo sobre ela, foi para perguntar “que câmera é essa? é de filme?”. O ar retrô ajuda a esconder o que a máquina é realmente capaz de fazer e, para mim, isso é perfeito. Eu fiz que nem o Cartier-Bresson, escondi os escritos “Fujifilm” e “X-T1” que estão escritos em branco; colei fita gaffer preta em cima. Super discreto, do jeito que eu gosto.
Paradoxalmente, uma coisa que me incomodou é justamente o fato dela ser pequena. Se você a usa o dia inteiro, a mão doi pois você precisa fechar muito o punho para segurar a câmera. É até difícil de explicar, já que não sou fisioterapeuta ou sequer entendo do assunto, mas a sensação que tenho é de que a empunhadura poderia ser mais grossa, para tornar o ato de segurar a câmera um pouco mais cômodo (de repente, minha mão que é grande demais, se comparada com a dos engenheiros nipônicos que desenharam esta belezinha). No entanto, só é incomodo para longos períodos de uso.

Outro incomodo: os menus tem umas animações que me irritam. Qual a função delas? Não entendo… Gostaria de poder desabilitar.

Processamento de Imagens

Por ter um sensor diferente das demais câmeras, as Fuji X produzem RAWs que a Adobe ainda não consegue processar tão bem quanto a das outras marcas. Já melhorou muito desde o lançamento da X100, em 2012, mas ainda falta. E quando digo “processar”, o principal ponto é nitidez. Quando processo no Lightroom, as imagens ficam OK. Quando processo em um outro programa chamado Iridient Developer, as fotos ficam muuuito mais nítidas.
Li um review que o ideal é usar o detail do sharpness no máximo, para ter melhor resultados no Lightroom, mas cria muitos artefatos estranhos na imagem. Enfim, imagino que a Adobe dará um jeito nisso.

Se não quiser ter este tipo de problema, processe os RAWs na própria câmera. Já lí alguns reviews de gente que usa os JPGs direto da câmera e fica muito satisfeito com o resultado. Eu não gosto deste fluxo de trabalho, prefiro processar primeiro no Iridient Developer e depois acerto as cores e exposição no Lightroom.
Vídeo

Nem testei. Estou esperando o novo firmware que sai em dezembro deste ano, já que liberará os ajustes manuais de vídeo. Veremos o que virá.

Enfim, e aí?

Acho que a X-T1 é o ponto final do primeiro capítulo da história da família X da Fuji. Resolveram todos as questões dos irmãos mais velhos (foco sendo a principal). A quantidade de lentes disponíveis já é bem grande (quero testar a 56mm f/1.2, parece ser incrível para retratos) e o roadmap de lançamento é bem interessante (incluindo equivalentes 24-70mm e 70-200mm, ambas f/2.8). Só o fato deles falarem quais as lentes que vêm por aí, já mostra a transparência da Fuji. E transparência numa fabricante de lentes é uma coisa boa, claro.Além disso, a cultura de Kaizen (改善 melhora contínua, em japonês) que faz com que eles atualizem o firmware de câmeras como a antiga X100 (lançada no começo de 2012), mostra que há preocupação de atender não só os novos clientes como os antigos também. Acho isso legal demais. A Fuji está fazendo o que os fotógrafos querem. Estão de parabéns.

Fico só imaginando o que vem pela frente…

E o que eu achei? (a tal da conclusão)

Nestes meses, fiz muitas fotos bacanas com a X-T1. Coloquei embaixo algumas, para vocês verem. A câmera é uma delicia de usar, não chama a atenção e faz fotos de alta qualidade. Adoro poder usar minhas pequeninas lentes da rangefinder com a X-T1. É uma câmera divertida e me dá muito prazer usá-la, não importa a finalidade das fotos. Tem seus problemas, mas nada irrita ou frustra ao ponto de me fazer pensar ” quero minha DSLR de volta!”. E é legal demais saber que é uma câmera que vai ficar melhor com o tempo, graças aos firmwares com funcionalidades novas que a Fuji lança frequentemente.

Se fosse para melhorar algo, gostaria que o menu não tivesse animações de transição ,já que roubam instantes que podem ser importantes. E, se der pro foco ficar ainda mais rápido, mal não faria.

Outra coisa que eu gostaria é que, quando eu fosse trocar a lente, houvesse uma opção de fechamento de cortina, assim o sensor não ficar exposto e diminuiria a possibilidade de sujar o sensor.

Fico feliz de ter comprado a X-T1, acho que é uma tremenda de uma câmera e se você está pensando em comprar, compre sem receio (a não ser o de ficar viciado em Fuji).

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